BD MANIA - A minha Biblioteca de Banda Desenhada

LUC ORIENT

LUC ORIENT

LUC ORIENT  

Fição-Científica    Série Terminada    18 álbuns   Português     1969 - 1994   1079000000      

A hora da ficção científica por Carlos Pessoa

A série Luc Orient está estreitamente ligada à renovação da revista Tintin sob a direcção de Greg. O movimento empreendido por este desenhador e argumentista visa “romper com o espírito excessivamente escutista” que tinha sido imposto por Hergé, como refere o jornalista e crítico Gilles Ratier. Um dos vectores dessa transformação é a ficção científica, até à data ausente das páginas da revista. Luc Orient não será o único produto dessa viragem no rumo editorial da revista Tintin, onde passam a ter lugar destacado Bernard Prince, Olivier Rameau, Jugurtha, Martin Milan e outras séries de qualidade, que concorrem com as criações de referência da revista – Michel Vaillant, Alix, Corentin, Dan Cooper, Taka Takata e muitas outras. Greg conhecia Eddy Paape desde o início dos anos 50, mas nunca tinham trabalhado juntos. O desafio chega na altura certa, pois Paape, já com 46 anos, estava em rota de colisão com a revista Spirou e a editora que a publicava (Dupuis), e pensava seriamente em abandonar a banda desenhada. A fórmula – um herói atlético (Luc Orient), uma bonita assistente (Lora) e um cientista experiente (Hugo Kala) – é herdeira da melhor tradição americana da Época de Ouro e entronca numa filiação em que se inserem os clássicos Flash Gordon (de Alex Raymond) ou Brick Bradford (de Clarence Gray e William Ritt). O herói regista rapidamente uma apreciável adesão dos leitores (embora as vendas dos álbuns não tenham sido famosas) graças ao desenho realista de Paape, um experimentado criador que impõe um ritmo cada vez mais vivo e dinâmico às sucessivas aventuras da série. Mas seria de todo injusto não tornar extensivos os méritos da popularidade a Greg, autor de argumentos “à medida” – como sublinha Patrick Gaumer, autor do Larousse de la BD –, que deixam uma grande liberdade de movimentos ao desenhador. No apogeu de Luc Orient, Greg passa longos anos nos Estados Unidos, entre 1982 e 1986. Propõe Gérard Jourd’hui como substituto, mas a solução revela-se desastrosa para a série, que nunca mais voltará a registar o mesmo fulgor.

     

DETALHE DOS ÁLBUNS DA SÉRIE