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Arleston, Scotch

Arleston, Scotch

AUTOR

ARLESTON, SCOTCH

  • 93000001
  • Christophe Pelinq
  • Scotch Arleston
  • Argumentista de banda desenhada, editor, romancista
  • 14-08-1963
  • Aix en Provence
  • França
  • Fantasia, ficção científica, humor, aventura
 
BIOGRAFIA

Infância e formação

Christophe Pelinq, mais tarde conhecido como Scotch Arleston, nasceu em 1963 em Aix en Provence. Passou parte da infância em Madagáscar, experiência que influenciaria o seu gosto por mundos exóticos, criaturas improváveis e humor culturalmente híbrido. Regressou a França em 1981, ano em que concluiu o ensino secundário. Ingressou na Faculdade de Ciências Económicas, mas rapidamente mudou de rumo e entrou na Escola de Jornalismo de Marselha (EJCAM), onde se formou em 1987.

Durante este período, começou a trabalhar como jornalista, redator publicitário e autor de peças radiofónicas. Entre 1985 e 1989 escreveu dezasseis ficções para a rádio France Inter, experiência que lhe deu ritmo, sentido de diálogo e domínio da estrutura narrativa — competências que se tornariam centrais na sua carreira de argumentista.

Entrada na BD: finais dos anos 80

Arleston iniciou a carreira de argumentista de BD no final dos anos 80, escrevendo histórias curtas para revistas como Circus (Glénat) e colaborando com o desenhador Paul Glaudel. O seu primeiro álbum para crianças, Manie Swing, foi publicado pela Alpen/Humanos.

A viragem decisiva ocorreu em 1990, quando conheceu Mourad Boudjellal, fundador das Éditions Soleil. Este encontro marcou o início de uma das colaborações mais frutíferas da BD francesa contemporânea.

Primeiras séries de sucesso (1992–1994)

Les Maîtres Cartographes (1992)

Com Paul Glaudel, Arleston cria uma série de fantasia medieval que já revela o seu gosto por mundos complexos, humor subtil e personagens carismáticos.

Léo Loden (1992)

Com Serge Carrère, lança uma série policial humorística que se tornaria um dos pilares da editora Soleil. Aqui, Arleston demonstra a sua versatilidade: do épico ao policial, do fantástico ao quotidiano.

Les Feux d’Askell (1993–1997)

Com Jean Louis Mourier, cria uma série de fantasia com forte identidade visual e narrativa, que prepara o terreno para o universo que o tornaria mundialmente conhecido.

A criação de um império: o universo de Troy

Lanfeust de Troy (1994)

Em 1994, Arleston e Didier Tarquin lançam Lanfeust de Troy, uma série que mistura fantasia, humor, aventura e um mundo de magia onde cada habitante possui um poder único. O sucesso foi imediato: em poucas semanas, o álbum entrou no topo das vendas francesas.

Lanfeust tornou se um fenómeno cultural, expandindo se para:

  • Lanfeust de Troy (série principal)
  • Lanfeust des Étoiles (ficção científica)
  • Lanfeust Odyssey
  • Trolls de Troy
  • Gnomes de Troy
  • Les Conquérants de Troy
  • Légendes de Troy (coleção de one shots)
  • O universo de Troy é hoje um dos maiores e mais coerentes mundos de fantasia da BD europeia.

Trolls de Troy (1997)

Com Jean Louis Mourier, Arleston cria uma série humorística centrada nos trolls, criaturas inicialmente secundárias de Lanfeust.

A série tornou se um enorme sucesso, com vários prémios, incluindo:

  • Prémio de Melhor Álbum Juvenil – Angoulême 1998
  • Prémio de Melhor Álbum Juvenil – Angoulême 2002

Expansão criativa (anos 2000–2010)

Durante as décadas seguintes, Arleston multiplicou projetos, mantendo sempre um equilíbrio entre humor, fantasia e aventura.

Moréa (1998–2004)

Com Thierry Labrosse, cria um thriller de ficção científica com elementos de conspiração e imortalidade.

O primeiro volume recebeu vários prémios, incluindo:

  • Prémio Bédélys Découverte (2000)
  • Prémio Bédéis Causa (2001)

Les Forêts d’Opale (2000– )

Com Philippe Pellet, desenvolve uma série de fantasia épica com forte componente mitológica.

Les Naufragés d’Ythaq (2005– )

Com Adrien Floch, cria uma space opera que mistura humor, ação e mistério. A série tornou se um dos maiores sucessos da Soleil nos anos 2000.

Ekho – Monde Miroir (2013– )

Com Alessandro Barbucci, Arleston cria uma série que reimagina cidades reais num mundo paralelo de fantasia. É uma das suas séries mais populares da década de 2010.

Sangre (2015– )

Com Adrien Floch, inicia uma série mais sombria, centrada na vingança e na tragédia, demonstrando maturidade temática.

Gottferdom Studio e Lanfeust Mag

Em 1997, Arleston funda o Gottferdom Studio, com Didier Tarquin, Dominique Latil e Philippe Pellet. O estúdio torna se um polo criativo que forma novos autores e alimenta o universo de Troy.

Em 1998, cria o Lanfeust Mag, revista mensal dedicada à fantasia e ficção científica, onde publica pré publicações, entrevistas e novos talentos. Arleston é o seu redator chefe desde a fundação.

Romancista e editor

Em 2016, publica o seu primeiro romance, Le Souper des maléfices, pela ActuSF, misturando humor e fantasia.

Em 2018, funda com Olivier Sulpice a editora Drakoo, dedicada exclusivamente aos imaginários (fantasia, ficção científica, steampunk). A Drakoo tornou se rapidamente uma referência no género.

Estilo e temas

Arleston é conhecido por:

  • Humor constante, mesmo em narrativas épicas
  • Construção de mundos complexos, coerentes e expansivos
  • Personagens carismáticos, muitas vezes imperfeitos e irónicos
  • Diálogos rápidos e espirituosos
  • Mistura de géneros: fantasia + humor + aventura + romance
  • Capacidade de trabalhar com muitos desenhadores, adaptando o tom a cada colaboração

É frequentemente comparado a um “showrunner” da BD, pela forma como coordena universos inteiros.

Legado

Scotch Arleston é um dos argumentistas mais prolíficos e influentes da BD franco belga contemporânea. Com mais de 400 álbuns publicados, milhões de exemplares vendidos e dezenas de séries ativas, é uma figura central da fantasia europeia.

O universo de Troy, em particular, é hoje estudado como um dos mais vastos e coerentes mundos de fantasia da BD moderna.

 

 
 
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